
O racismo é um problema global e todos os países devem se posicionar contra ele, disse o presidente da Assembleia Geral, em seu discurso na última reunião do Fórum Permanente sobre afrodescendentes, uma plataforma da ONU para melhorar a segurança e a qualidade de vida dessas pessoas em todo o mundo.
“O racismo e a xenofobia continuam a prejudicar nossas comunidades, como cicatrizes rasgando o tecido social. O ódio e a violência que ele gera persistem, exigindo nossos esforços coletivos para erradicar a violência racial em todas as suas formas", disse Csaba Kőrösi na segunda sessão do Fórum, aberta na terça-feira em Nova York.
transformar a injustiça
Kőrösi garantiu que para superar isso é necessário reconhecer nossa humanidade compartilhada, já que os “legados desconhecidos” da escravidão e da segregação persistem hoje por meio de sistemas prisionais opressores e racialmente violentos, desigualdades no acesso à saúde e exclusão da força de trabalho.
"Devemos pôr fim a esses legados desumanos e vergonhosos, e devemos fazê-lo agora", disse ele em seu discurso no Salão da Assembléia Geral. «Acredito firmemente que refletindo sobre esses dolorosos legados, podemos realmente transformar as injustiças do passado nas liberdades do futuro"Ele adicionou.

Manifestantes em uma mobilização em Paris para defender os direitos dos afrodescendentes após o assassinato de George Floyd.
agir com urgência
O Fórum Permanente foi criado em 2021 pela Assembleia Geral, após anos de deliberações, e em consonância com a Década Internacional dos Afrodescendentes, que se estenderá até 2024.
O órgão ajudará a promover uma declaração da ONU sobre a promoção e o pleno respeito aos direitos dos afrodescendentes, tema da presente sessão.
Sua criação cristaliza o compromisso internacional de acelerar o caminho para a plena igualdade e justiça para os afrodescendentes em todo o mundo, declarou por sua vez o Secretário geral da ONU, em mensagem de vídeo dirigida aos presentes.
António Guterres exortou a reconhecer e reparar os erros cometidos durante séculos de escravatura e colonialismo.
“Devemos agir com maior urgência para livrar nossas sociedades do flagelo do racismo e garantir a plena inclusão política, econômica e social dos afrodescendentes como cidadãos iguais, sem discriminação”, afirmou.
Um problema em todos os lugares
O fato de o racismo não conhecer fronteiras foi destacado pelo presidente do Brasil, que destacou os constantes abusos do jogador brasileiro Vinícius Júnior, que joga no time espanhol Real Madrid.
"A lição que podemos tirar desses episódios indesculpáveis é que Vinicius Jr, de 22 anos, é capaz de enfrentar multidões hostis, não há dúvida de que podemos e devemos fazer mais para interromper esse circuito desumanizador de violência", disse. Luiz disse Inácio Lula da Silva em outra mensagem de vídeo.
Por sua vez, a Ministra da Igualdade Racial do Brasil, Anielle Franco, subiu ao pódio para reforçar o apelo do Presidente Lula para a renovação da Década Internacional dos Afrodescendentes, com foco na memória, reparações e justiça.
«A paz, a democracia, a segurança internacional, a luta contra as desigualdades e a garantia dos direitos humanos só coexistirão quando forem reparados séculos de racismo sistémico, caracterizado pela desumanização, subjugação, trauma, apagamento da nossa cultura e violência psicológica», afirmou, arrancando aplausos da sala.
Homenagem aos ativistas
Mais de mil pessoas participam do Fórum, que termina na sexta-feira. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, prestou homenagem ao grande número de ativistas e representantes da sociedade civil em suas fileiras.
“Muitos de vocês foram vitais para os esforços contínuos dos movimentos globais contra o racismo, incluindo os protestos de 2020 que, entre outras coisas, ajudaram a acelerar o estabelecimento do Fórum Permanente de Afrodescendentes”, disse ele em uma mensagem de vídeo.
Türk apontou que, por muito tempo, a discriminação racial foi tratada como uma questão social, e não como um problema uma grave violação dos direitos humanos.
“É urgente que responsabilizemos os indivíduos por atos de racismo e discriminação racial, e também que consideremos mais profundamente o papel das estruturas e sistemas de discriminação e opressão que reproduzem e alimentam as hierarquias raciais”, afirmou.
