
Após relatos de que o presidente do Sri Lanka confirmou sua renúncia depois que sua residência foi invadida por milhares de manifestantes no fim de semana, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, pediu na segunda-feira que o diálogo seja priorizado para " garantir uma transição de governo tranquila e soluções para a profunda crise econômica do país".
O presidente Gotabaya Rajapaksa não fez nenhum comentário público sobre a ocupação de sua residência, juntamente com a do primeiro-ministro Ranil Wickremesinghe, mas, segundo relatos, o gabinete do primeiro-ministro anunciou ter sido informado de que o presidente planejava renunciar na quarta-feira.
Protestos generalizados
O presidente Rajapaksa tornou-se alvo de protestos generalizados nos últimos meses devido à grave escassez de alimentos, combustível e medicamentos , em meio a uma crise financeira e humanitária que deixou o país incapaz de pagar sua dívida, com inflação recorde e mais de seis milhões de pessoas enfrentando insegurança alimentar.
“O Secretário-Geral continua acompanhando de perto os acontecimentos no Sri Lanka”, afirmou um comunicado do líder da ONU, divulgado por seu porta-voz, Farhan Haq.
António Guterres “ manifesta-se na solidariedade com o povo do Sri Lanka e apela a todas as partes interessadas para que dialoguem a fim de garantir uma transição governamental tranquila e encontrar soluções sustentáveis para a crise econômica”, acrescenta o texto.
O chefe de Estado do Sri Lanka foi levado para um local seguro antes que os manifestantes invadissem a residência presidencial. A ocupação continua até o momento.
A demissão do executivo ocorrerá quando ele a apresentar por escrito ao líder do Parlamento do Sri Lanka, o que ainda não aconteceu.
O primeiro-ministro também renunciaria
Segundo relatos da imprensa, o primeiro-ministro também anunciou que renunciaria ao cargo após sua casa ter sido incendiada no fim de semana.
“O Secretário-Geral condena todos os atos de violência e exige que os responsáveis sejam responsabilizados, sublinhando a importância primordial da manutenção da paz”, afirma a declaração de Guterres, que conclui reafirmando o apoio da ONU ao país.
"As Nações Unidas estão prontas para apoiar o Sri Lanka e seu povo."
Colapso do turismo e conseqüente crise
As múltiplas crises do Sri Lanka foram exacerbadas pela pandemia de COVID-19 , que causou o colapso da indústria do turismo, crucial para sua economia por fornecer divisas para a importação de combustível e suprimentos médicos.
O país também foi atingido pela crise na cadeia de suprimentos provocada pela guerra na Ucrânia.
A coordenadora residente da ONU e principal autoridade humanitária no Sri Lanka, Hanaa Singer, enfatizou no domingo a importância de se pôr fim imediatamente à crise política por meio do diálogo, para que o país possa "enfrentar sua pior crise econômica desde a independência ".
“É importante que todos os incidentes de violência contra jornalistas, manifestantes pacíficos e danos à propriedade sejam investigados e que os responsáveis sejam responsabilizados”, acrescentou.
Singer afirmou que a ONU continua monitorando a situação de perto "e está pronta para ajudar no diálogo, conforme necessário".
“Assim como fazemos em todo o mundo, a ONU apela ao respeito pelos direitos humanos , pelo Estado de Direito e pela governança democrática no Sri Lanka”, destacou o coordenador residente.
